Todos os olhos convergiam para ele, de onde eu estava, também olhando, senti pena. Um pobre coitado e fétido ser humanóide multicolor, vulgarmente chamado de calouro. O ônibus havia passado em frente a uma universidade e ele havia dado o sinal. O motorista parara só para dizer “assim você não sobe no meu Carro, garoto”. Como respondera o garoto, “se quiser, eu tiro a roupa”, foi lhe dada entrada. Vestido, claro.
Sem exceção, as conversas sobre o clima e a novela das 8 se calaram, para ver a aquarela ambulante passar. Quando ele parou para procurar lugar, todos nós que já estávamos dentro sabíamos o que restava: aquele lugar, na última fileira, no centro. Só lá havia espaço. Sentou-se e, curiosamente, os próximos foram justamente os pontos das pessoas daquela fila. Com uma cara meio de asco e de diversão, ‘aquilo’ ficou sozinho por alguns metros. O cheiro empestava o automóvel. Nesse instante, vi subir uma distinta jovem senhora impecável executiva bem sucedida, provavelmente. Ela entrou e ficou em pé, há três metros da fileira que parecia feita de estrume. Só me lembro de ouvi-la dizer “não, muito obrigado, meu ponto já está chegando”. Bem, duas horas depois e já no penúltimo ponto que era o meu, antes de descer, ainda a vi estacada no mesmo lugar.

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